Apontamentos para uma análise de conjuntura internacional

Por Monica Valente – Fevereiro de 2026

A análise da conjuntura internacional em 2026 revela um mundo que parece ter entrado em uma nova fase histórica. Não se trata mais de um sistema internacional em busca de ajustes, mas de um cenário de transição profunda e estrutural, marcado pelo que o pensador Antonio Gramsci chamou de “interregno”: um período em que o velho está morrendo, mas o novo ainda não pode nascer. CEste vácuo é preenchido por instabilidade, imprevisibilidade e uma multiplicidade de crises que se retroalimentam.

O Fim de uma Era e a Disputa por um Novo Mundo

O cenário atual é definido pela erosão da ordem internacional liberal construída após a Segunda Guerra Mundial. Estamos testemunhando o declínio da unipolaridade sob liderança dos Estados Unidos e a ascensão de um mundo multipolar e fragmentado, sob a crise do modelo neoliberal desde 2008. No entanto, essa multipolaridade não tem gerado equilíbrio, mas sim um aumento da competição estratégica, especialmente entre a potência incumbente (EUA) e a emergente (China).

O Fator Trump e o Unilateralismo: O retorno de Donald Trump à presidência dos EUA acelera essa transição. Sua política externa é marcada por um unilateralismo agressivo, que abandona a liderança do multilateralismo em favor de negociações diretas, coerção econômica (tarifas), ataques militares e reafirmação de zonas de influência, como exemplificado pelo resgate da Doutrina Monroe para a América Latina. O resultado é um aumento da desconfiança entre aliados históricos, como ficou evidente nas tensões com a Europa durante o Fórum de Davos .

A Erosão do Multilateralismo: As instituições criadas no pós-guerra, como a ONU, sofrem uma crise de credibilidade e eficácia. O direito internacional é frequentemente desrespeitado, e a lógica do poder e da forças voltam a ser a linguagem predominante, substituindo a antiga aposta na diplomacia e nas regras comuns .

Os Novos (e Velhos) Campos de Batalha

A geopolítica de 2026 é pautada por conflitos ativos e pontos de tensão que concentram os riscos de uma escalada com impactos globais.
O Epicentro Tecnológico: China – Se a guerra na Ucrânia mostrou a vulnerabilidade energética e alimentar da Europa, a China e seu desenvolvimento tecnólogico representam um fator de ordem superior. A região é responsável por cerca de 20% do comércio marítimo mundial e 90% dos semicondutores mais avançados, o “cérebro” da economia moderna . Um conflito em Taiwan, grande produtor de esse tipo de produto na China, por exemplo, não seria apenas uma crise regional, mas um terremoto econômico global, paralisando cadeias produtivas de tecnologia, defesa e bens de consumo.

Guerras em Curso e Novas Frentes: Os conflitos na Ucrânia e em Gaza continuam sem soluções definitivas, consumindo recursos e energia diplomática. Dia 28 de fevereiro, o ataque dos EUA e Israel ao Irã, em pleno curso de um processo de negociação, coloca o mundo em alerta total .

A Economia como Arma e a Corrida por Recursos

A economia global em 2026 caminha em um fio de navalha, com crescimento moderado (projetado em cerca de 3,1%) , mas profundamente instável.

Armas Econômicas: Tarifas, sanções e controles de exportação se normalizaram como extensão da política externa, fragmentando a globalização e criando blocos econômicos concorrentes .

A Disputa por Recursos Estratégicos: A transição energética e a corrida tecnológica acirraram a competição por recursos naturais. Minerais críticos como lítio, cobre e terras-raras (essenciais para baterias e eletrônicos) tornaram-se o centro de uma nova geopolítica. A China domina atualmente o processamento desses materiais, enquanto os EUA buscam acordos com países detentores de reservas, como Brasil, países da America Latina e Ucrânia, para garantir seu suprimento .

Energia e Tecnologia se Entrelaçam: A expansão da Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma promessa futura e se tornou um desafio concreto de infraestrutura. O enorme consumo de energia por data centers transformou a segurança energética em um pilar da competitividade tecnológica .

A Crise Institucional e a Ascensão da Extrema-Direita

Esse cenário econômico instável é agravado por uma profunda crise que corrói as democracias por dentro.
Desgaste Democrático: A incapacidade de garantir segurança material e perspectivas de futuro tem alimentado o desencanto com a democracia liberal e com o modelo neoliberal. Isso abre espaço para discursos autoritários, simplificadores e a busca por “bodes expiatórios” (imigrantes, minorias), fenômeno amplificado pelas redes sociais, pela utilização das fake news.

Crise de Confiança: A perda de confiança provocada por este cenário nas instituições tradicionais (governos, partidos, mídia) gera uma sensação de desorientação coletiva. Medo, ressentimento, discursos de ódio são os sintomas desse mal-estar civilizatório, que beneficia o avanço global de movimentos de extrema-direita .

Oportunidades e Riscos para a América Latina e para o Brasil

A região se vê no centro dessa tempestade. A América Latina voltou a ser um foco prioritário para os EUA, que veem com preocupação a crescente influência chinesa na região. A nova estratégia de segurança americana explicita a intenção de retomar o controle de sua “área de influência”, o que tem gerado pressões comerciais, políticas e militares sobre os governos locais. Exemplos recentes apenas comprovam essa intenção e colocam a região em alerta, como Venezuela, Cuba, Honduras, México , por ora. A demanda por minerais críticos (lítio, cobre, níquel), petróleo, recursos hídricos e segurança energética tornam a região atraente para investimentos em nearshoring (realocação de fábricas para mais perto dos centros consumidores).

O cenário global de reconfiguração das cadeias produtivas e disputa por recursos naturais abrem as grandes frentes de oportunidade para a região e para o Brasil. Em um mundo buscando reduzir a dependência de cadeias longas e concentradas na Ásia, o Brasil emerge como um destino natural. O país é visto como uma plataforma estável para investimentos, combinando:
Potencial Agrícola e Mineral: O Brasil é uma potência global nesses setores, com uma indústria de mineração relevante e um agronegócio competitivo.

Energia Limpa e Competitiva: A matriz energética renovável do país se torna um ativo estratégico, atraindo indústrias que buscam descarbonizar suas operações. A transição energética global depende de recursos que o Brasil tem em abundância.

Mercado Doméstico Robusto: Com mais de 215 milhões de habitantes e um desemprego em mínima histórica, o mercado interno é um poderoso ímã para empresas que querem produzir perto do consumidor.

Na conjuntura internacional que discutimos, a integração regional deixa de ser um ideal retórico e se transforma em uma necessidade estratégica para o Brasil . Em um mundo fragmentado e dominado por grandes blocos, “divididos, somos frágeis”, como sintetizou o presidente Lula. A integração é a ferramenta que pode potencializar as vantagens competitivas do Brasil e blindá-lo contra as pressões externas A seguir, os principais benefícios que o Brasil pode colher:

1. Amplificação Geopolítica e Autonomia
· Fortalecimento do “Soft Power”: Isolado, o Brasil é um país de renda média. Articulado regionalmente, lidera um bloco com mais de 660 milhões de consumidores e imensos ativos estratégicos, ganhando voz para negociar de igual para igual com EUA, China e União Europeia
· Escudo contra Pressões Externas: A coordenação regional impede que potências externas nos enfraqueçam com a tática de “dividir para conquistar”, impondo acordos comerciais fragmentados e pressões políticas individuais.
2. Ganhos Econômicos e Comerciais
Salto no Comércio Intraregional: Enquanto o comércio entre países asiáticos gira em torno de 50%, na América Latina ele é de apenas 15% . Reduzir barreiras burocráticas e regulatórias pode destravar um enorme potencial de negócios, gerando ganhos de escala e eficiência. Atração de Investimentos: Um mercado integrado e previsível é um ímã para o nearshoring. Empresas globais que buscam parceiros confiáveis (o “comércio entre aliados” ) veem com muito mais interesse uma plataforma regional estável do que um país isolado.

Soberania em Infraestrutura e Energia.  Integração Física (IIRSA): Projetos como a tão discutida Rota Bioceânica (conectando Brasil ao Pacífico via Peru) podem reduzir drasticamente custos e tempo de exportação para a Ásia, tornando nossos produtos mais competitivos.

Mercado Sul-Americano de Energia: A região pode avançar na criação de um mercado integrado de energia, aproveitando a complementaridade entre a hidroeletricidade brasileira, o gás boliviano, o petróleo venezuelano e o potencial de energias renováveis dos vizinhos, garantindo segurança energética para todos.

Gestão de Bens Comuns e Desenvolvimento

Amazônia como Ativo, Não Passivo: Questões como desmatamento, biodiversidade e mudanças climáticas não respeitam fronteiras. Uma posição conjunta dos países amazônicos (via OTCA) fortalece a capacidade de negociar financiamento e regras ambientais, transformando a floresta em um ativo geopolítico e econômico da região, e não em um problema de um só país .
Cooperação em Segurança: O combate ao crime organizado transnacional, que explora justamente as fragilidades das fronteiras, exige ação coordenada. A integração de inteligência e patrulhamento é a única forma eficaz de enfrentar esse desafio .

Além disso, o Brasil sob a direção do Presidente Lula tem adotado uma postura ativa e decisiva no cenário mundial em defesa dos interesses nacionais e do povo brasileiro:
O Reequilíbrio Diplomático e Comercial: O governo Lula adotou uma estratégia consciente de diversificação de parcerias para navegar em um mundo multipolar e tenso. Isso tem significado uma ampliação de horizontes, buscando ativamente mercados na Ásia, Europa, Estados Unidos e África, evitando a dependência excessiva de um único parceiro.

Acordo Mercosul-UE: A assinatura do histórico acordo comercial com a União Europeia é um passo importante para inserir o Brasil em cadeias de valor mais sofisticadas e atrair investimentos europeus, ainda que muitas restrições não tenhamos conseguido romper.
Proteção Soberana: Simultaneamente, o país diversifica suas reservas internacionais (já na casa dos US$ 360 bilhões) para se proteger da volatilidade cambial e das tensões globais. Os números já começam a refletir esse movimento. O Brasil recebeu US$ 8,2 bilhões em Investimento Estrangeiro Direto (IED) só em janeiro de 2026, uma alta de 22,4% em relação ao ano anterior, com projeções do mercado apontando para uma entrada total de US$ 75 bilhões em 2026. O déficit em conta corrente também diminuiu, caindo para 2,92% do PIB, um sinal de que as contas externas estão se ajustando.

Diante desse cenário mundial turbulento, a firmeza do presidente Lula, sua lucidez, seu compromisso indiscutível com o Brasil e com o povo brasileiro já deram inequívocas provas de que estamos no caminho certo. Por isso, em outubro de 2026, é LULA DE NOVO, COM A FORÇA DO POVO!

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